Na semana do salitre

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Foi tanto vento Nordeste, que quase entramos em deriva. Ou seria muito pedir a “Cécias”, como era chamado o Nordestão na mitologia grega, que nos devolva ao rumo? Há quem jure de pés juntos que estamos ainda mais distantes de Florianópolis agora, e eu cá não duvido. Basta olhar para a SC 434, nossa rodovia estadual. A gente grita e gesticula, mas nada deles nos ouvirem lá no palácio da Agronômica. Ou é o vento que nos afasta, ou o salitre que além de danificar condutores e isoladores elétricos, pondo-nos às escuras, corrói também ouvidos e vontades na ilha da fantasia – ops!, digo, da magia?

O fato é que apesar da ventania – ou por causa dela – Colombo veio parar por estas bandas na terça-feira. Levantou velas para ver chegar o cargueiro Cap San Juan no porto de Imbituba. Parecia os tempos das naus portuguesas, tanta era a gente apinhada nas praias para ver o caixão de aço atracar no berço! Baleia, que é bom, necas! Por que será? Só falta alguém culpar também o salitre por afastar as baleias. Seriam as francas hipertensas?

De qualquer modo, na semana do salitre, descobrimos que as expressões populares mudam. A língua é viva, pois não? Aquilo que era “dinheiro pra dedéu”, virou “dinheiro pra Geddel!” A dinheirama abarrotando malas e caixas em um apartamento na Bahia. Eu sei, o tema era outro. Falávamos do Nordestão, da rodovia abandonada e das baleias que nos faltam. Mas convenhamos, por que o vento não nos soprou um pouco desta grana ao invés de apenas salitre? Daria para resolver alguns problemas por aqui, não daria? Pelo menos, fecharia alguns buracos, compraria alguma tinta para sinalização ou, quem sabe, a reforma da Escola Maria Corrêa Saad.

Ventania, maresia e hipocrisia. As panelas fervem, mas estão vazias! As baleias que não chegam como antes, a estrada que ceifa vidas. Do alto do sambaqui, tentamos mirar horizontes. Lá, adiante, segue o Cap San Juan com suas vísceras repletas de mercadorias. Dizem que volta.

Já as francas, não sabemos!

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